Audiência Pública Debate Importação de Cacau e Desafios da Produção no Sul da Bahia
Na última sexta-feira (28), a Câmara de Vereadores de Ilhéus reuniu produtores, especialistas e autoridades em uma audiência pública para debater os impactos da importação de cacau na economia local e na vida dos produtores da região.
A audiência foi uma iniciativa do vereador Prof. Gurita que buscou promover um debate com a cadeia produtora, trazendo para o poder público municipal a responsabilidade de promover politicas públicas eficientes que fortaleçam e protejam a cacauicultura,
Entre os presentes estava o Secretário de Desenvolvimento Econômico e Inovação de Ilhéus, Paulo Ganem, que também é cacauicultor e se pronunciou sobre o tema, destacando que a solução esta no fortalecimento da produção: "É preciso fortalecer a produção nacional para evitar a dependência de importações".
Produzir mais para exportar novamente
"Se nós estivéssemos produzindo cacau em quantidade suficiente, não precisaríamos importar, e essa sessão não faria sentido", afirmou Paulo Ganem. Para ele, a solução passa pelo incentivo à produção interna, garantindo que o Brasil volte a ser um exportador do fruto.
Como pequeno produtor e ex-aluno da EMARC, ele ressaltou que a Secretaria de Desenvolvimento Econômico tem um papel fundamental na retomada do crescimento do setor. "No passado, o cacau foi a mola mestra do PIB de Ilhéus. Hoje, o agronegócio é o grande motor da economia nacional, mas nossa importância econômica local caiu para apenas 3,5% do PIB no setor primário", pontuou, citando um estudo do ex-pró-reitor da UESC, Elson Cedro Mira.
Dificuldades e falta de infraestrutura
Entre os desafios apontados por Paulo Ganem estão a falta de assistência técnica, a carência de extensão rural e a precariedade das estradas. "Ano passado, não conseguimos conter a Phytophthora palmivora porque não havia cobre disponível e não tivemos suporte técnico para seguir o calendário agrícola. Sem estradas, como os técnicos podem chegar às propriedades?", questionou.
Ele também mencionou o compromisso do atual governo municipal, liderado por Valderico Júnior, em melhorar as condições do setor. "Junto com o secretário Milton, já iniciamos visitas a instituições como UFSB, UESC, CEPLAC e Estação do Almada para planejar soluções", relatou.
Segurança fitossanitária e unidade entre os produtores
Durante o debate, Paulo Ganem enfatizou a importância da segurança fitossanitária para evitar a introdução de pragas e doenças na cacauicultura nacional. "A Associação Nacional dos Produtores de Cacau não é contra a importação, mas defende garantias sanitárias. Não podemos comprometer nossa produção local."
Outro ponto abordado foi a necessidade de unidade entre os produtores. "Esta audiência mostrou que, sem união, não vamos prosperar. Precisamos respeitar todos os segmentos do setor e aprender com os acertos do passado."
O futuro da cacauicultura
Por fim, Paulo Ganem defendeu uma reflexão sobre a gestão da CEPLAC e alternativas para fortalecer a cacauicultura. "Se nossos antepassados conseguiram criar a CEPLAC, por que não podemos pensar em um novo órgão financiado pelos próprios produtores? Se cada um contribuir com 2% da produção, podemos formar um fundo para garantir suporte ao setor."
Ele concluiu ressaltando a importância da adoção de novas tecnologias. "Se aumentarmos nossa produção em 40%, acabamos com a necessidade de importação e eliminamos o risco de novas pragas. A pesquisa da CEPLAC, repassada à UESC, é fundamental para esse avanço."
O setor primário do cacau tem potencial para impulsionar o turismo, o comércio e os serviços em Ilhéus e região. O desafio agora é transformar essas propostas em ações concretas para fortalecer a cacauicultura baiana.
CONFIRA O PRONUNCIAMENTO COMPLETO DO SECRETÁRIO DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E INOVAÇÃO DE ILHÉUS, PAULO GANEM.